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12/01/2018 - 10:00
Defesa diz que Moro não é sereno e que espera julgamento isento sobre tríplex
 
 
 
O advogado Cristiano Zanin Martins, que defende o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em processos da Operação Lava Jato, disse esperar um julgamento isento na segunda instância sobre o chamado caso do tríplex.

A confirmação da punição pode tornar Lula inelegível -- ele é líder em pesquisas eleitorais sobre intenções de voto para o pleito presidencial -- e até mesmo levá-lo à prisão. Na primeira instância, ele foi condenado a nove anos e meio de prisão pelo juiz Sergio Moro. O petista nega as acusações.

A declaração de Zanin Martins foi dada em entrevista ao UOL nesta quinta-feira (11), em São Paulo, em que disse esperar um tratamento "respeitoso e cordial" dos desembargadores do TRF-4. Segundo ele, isso não ocorreu na primeira instância, onde teria havido uma "animosidade descabida" em relação a Lula e sua defesa.

Para o advogado de Lula, a sentença de Moro faz referências em vários momentos "a situações que envolveram o juiz e a defesa, o que mostra, na verdade confirma, que ali não estava um juiz isento e sereno, mas um juiz que estava afetado de alguma forma por embates ou discussões havidas em audiência." Na visão de Zanin Martins, isso "reforça que a sentença foi proferida por alguém que não tinha a necessária imparcialidade."

Isenção de Moro questionada

A defesa de Lula já questionou a suposta imparcialidade de Moro em recursos à Justiça em diferentes instâncias. Até agora, todos foram negados.

"Ainda há recursos pendentes. A questão precisa ser analisada de forma definitiva.

E nós entendemos que há elementos, sim, para reconhecer a suspeição, o que levaria à nulidade desses atos decisórios praticados contra o ex-presidente Lula", disse o advogado.

Na sentença do tríplex, Moro diz que "sempre tratou os defensores com urbanidade, ainda que não tivesse

reciprocidade". O juiz incluiu no documento transcrições de trechos de audiências em que houve discussões entre ele e a defesa de Lula.

Moro também citou "medidas processuais questionáveis" tomadas pela defesa de Lula contra ele, como

processos por abuso de autoridade, e afirmou que isso não afetou sua imparcialidade. As ações contra Moro foram negadas ou arquivadas por ele mesmo e pelo TRF-4.

"Cabe decidir a responsabilidade dos acusados somente com base na lei e nas provas, sendo irrelevante o comportamento processual de seus defensores", escreveu o juiz. 

O magistrado vai julgar o ex-presidente em outros dois processos da Lava Jato: um sobre um terreno e um apartamento que o petista teria recebido como propina da Odebrecht; e um sobre um sítio em Atibaia (SP) que teria sido reformado pela Odebrecht e pela OAS em benefício de Lula. 
UOL
 
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